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Ações permanentes em saúde mental transformam rede de cuidado ao acolher diferentes necessidades em Lages
09/10/2026
Município reúne equipamentos como os CAPS’s, Unidade de Acolhimento, Serviço Residencial Terapêutico e outros serviços especializados para atender diferentes demandas de saúde mental da população

Cuidar da saúde mental é reconhecer que todos têm o direito de ser acolhidos e tratados. Nem sempre os sinais aparecem de forma evidente e, em muitos casos, procurar ajuda pode ser o primeiro passo para evitar que uma situação se agrave. É nesse contexto que falar sobre saúde mental deixa de ser uma questão individual e passa a envolver famílias, comunidades, serviços públicos e uma rede preparada para oferecer diferentes formas de cuidado.

No Sistema Único de Saúde (SUS), esse trabalho é organizado pela Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), que articula serviços de atenção básica, especializada e hospitalar. Os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) fazem parte dessa estrutura e funcionam de portas abertas para o acolhimento inicial, podendo receber pessoas que procuram diretamente o serviço, assim como aquelas encaminhadas por outros pontos da rede.

Em Lages, essa rede reúne diferentes equipamentos e modalidades de atendimento. De janeiro a setembro de 2026, os serviços contabilizaram 18.316 procedimentos. O dos CAPS conjunto contempla crianças, adolescentes e adultos, pessoas em sofrimento psíquico intenso, usuários com problemas relacionados ao álcool e outras drogas e moradores que necessitam de cuidados específicos após longos períodos de internação psiquiátrica.

A estrutura disponível no município busca atender diferentes níveis de necessidade, desde o acolhimento e acompanhamento no território até situações que exigem cuidados especializados e contínuos. Para a prefeita Carmen Zanotto, a existência dessa rede diversificada é fundamental para garantir que o cuidado em saúde mental esteja próximo da população e considere as particularidades de cada pessoa. “Lages possui uma rede estruturada para acolher diferentes demandas de saúde mental que atuam tanto no acompanhamento quanto na prevenção e na reinserção social. Esse conjunto de equipamentos garante o acolhimento, escuta e acompanhamento adequado, sempre respeitando as necessidades de cada usuário e buscando fortalecer vínculos e o apoio junto às famílias”, diz a prefeita.

Uma rede que começa no território

A Gerência de Saúde Mental do município é responsável pela gestão dos serviços especializados que integram essa estrutura. Fazem parte desse conjunto o CAPSII, CAPSAD, CAPSi, Unidade de Acolhimento Adulto Acolher + e Serviço Residencial Terapêutico, além da articulação com os demais pontos da RAPS.

O cuidado, entretanto, inicia as Unidades Básicas de Saúde (UBSs), que constituem a principal porta de entrada para o atendimento em saúde no município e também acolhe demandas relacionadas à saúde mental. Quando a necessidade exige acompanhamento especializado, o usuário pode ser encaminhado para um dos CAPS.

Ao mesmo tempo, conforme informações do Ministério da Saúde, os CAPS funcionam em regime de porta aberta, permitindo que a pessoa procure diretamente o serviço para o primeiro acolhimento. A partir dessa avaliação, a equipe identifica a necessidade de acompanhamento e define, junto ao usuário, o caminho terapêutico mais adequado. Esse modelo está de acordo com a organização nacional da RAPS, que prevê a articulação entre atenção básica, CAPS, hospitais, unidades de acolhimento, serviços residenciais terapêuticos e os pontos de urgência e emergência.

A Gerência de Saúde Mental de Lages mantém o atendimento e ações preventivas fora dos consultórios, com encontros, palestras, rodas de conversa e orientações em empresas, escolas, universidades e outras instituições. A proposta, de acordo com a secretária de Saúde, Rose Cristina Possato, é levar a discussão sobre saúde mental para os espaços onde as pessoas vivem, estudam e trabalham. “Essa é uma maneira de difundir a informação e aumentar a prevenção com a identificação precoce de situações que podem exigir cuidado”, explica a secretária.

Outro desafio que passou a integrar as demandas dos serviços é a ludopatia, relacionada ao comportamento de jogo e apostas de forma problemática. A questão também passou a receber atenção da política nacional de saúde mental com serviços de teleatendimento, via Ministério da Saúde, para pessoas com necessidades relacionadas a jogos e apostas, incluindo orientação e suporte aos familiares.

CAPS II atende adultos em intenso sofrimento psíquico

Atendimento voltado a pessoas com 18 anos ou mais residentes em Lages, o CAPS II se constitui um serviço de atenção diária composto por uma equipe multiprofissional capacitada. Para tanto, é destinado a usuários que apresentam sofrimento psíquico intenso, capaz de interferir na vida cotidiana e na realização de projetos pessoais.

O serviço funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, sem interrupção ao meio-dia, e mantém profissional disponível para o primeiro acolhimento. O acesso pode ocorrer por demanda espontânea ou por referência de outros serviços.

Segundo os dados da Secretaria Municipal da Saúde, o CAPS II realiza, em média, 500 atendimentos por mês, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida dos pacientes, além de fortalecer os laços familiares, comunitários e sociais, contribuindo para a redução da necessidade de internações psiquiátricas.

O CAPS II trabalha com atendimentos individuais, grupos terapêuticos, visitas domiciliares, consultas médicas e outras atividades definidas de acordo com as necessidades de cada usuário. O CAPS II está situado à Avenida João Goulart, Bairro Pisani, e o telefone para contato é o (49) 3251-7974.

CAPS AD oferece acolhimento e cuidado integral a quem busca ajuda

Para adultos a partir dos 18 anos que apresentam problemas relacionados ao uso de álcool e outras drogas, Lages conta com o CAPS AD, serviço que trabalha com uma perspectiva de cuidado integral e redução de danos. A proposta é melhorar a qualidade de vida dos usuários e oferecer suporte também às dimensões psicológica, social, familiar e clínica envolvidas no processo.

O atendimento inicial é realizado por porta aberta, ou seja, sem necessidade de encaminhamento. Ao chegar ao serviço, o usuário passa pelo acolhimento, quando são identificadas suas necessidades. A partir daí os demais atendimentos são organizados conforme a demanda. A equipe é multiprofissional e reúne profissionais de enfermagem, psicologia, assistência social, psiquiatria, clínica médica, além de áreas administrativas e de apoio.          

Entre janeiro e setembro de 2026, o CAPS AD registrou 15.586 procedimentos realizados pela rede municipal de saúde mental. A diversidade dos registros mostra que o acompanhamento vai além das consultas. No período, foram contabilizados 9.405 atendimentos individuais, 4.254 acolhimentos diurnos, 725 atendimentos em grupo, 499 atendimentos familiares, 53 práticas expressivas e comunicativas e 45 atendimentos domiciliares, além de ações de reabilitação psicossocial.

O serviço também desenvolve grupos terapêuticos, oficinas, práticas esportivas, psicoterapia, atividades de inserção e ações de apoio aos familiares. O CAPS AD funciona na Rua Lauro Müller, nº 457, no Centro, das 8h às 17h, sem fechar ao meio-dia. O telefone para contato é (49) 3251-7972, que também funciona como WhatsApp.

CAPSi acompanha crianças e adolescentes

A saúde mental na infância e adolescência exige atenção específica. Em Lages, o CAPS Infantojuvenil (CAPSi) atende crianças e adolescentes de zero a 17 anos, 11 meses e 29 dias que apresentam transtornos mentais graves ou persistentes.

O serviço também funciona de portas abertas, sem necessidade de encaminhamento para o primeiro atendimento, e conta com equipe multiprofissional, incluindo médico especialista em psiquiatria. Atualmente, 267 pacientes estão ativos no serviço, participando de grupos terapêuticos, atendimentos de psicoterapia e consultas médicas. Entre janeiro e setembro de 2026, o atendimento destinado a crianças e adolescentes em Lages contabiliza 1.453 procedimentos.

A existência de um serviço específico para esse público permite que as demandas sejam acompanhadas considerando as diferentes etapas do desenvolvimento e também a participação da família e da comunidade no processo de cuidado. O CAPSi está localizado na Rua Coronel Córdova, nº 1.078, Centro, e atende das 8h às 17h, sem fechar ao meio-dia. O telefone é (49) 3251-7965.

Unidade de Acolhimento Adulto Acolher + trabalha pela reconstrução de vínculos

A Unidade de Acolhimento Adulto (UAA) Acolher + oferece um espaço protegido para pessoas em situação de vulnerabilidade e sofrimento relacionados ao uso de álcool e outras drogas, especialmente quando é necessário permanecer no serviço durante o processo de tratamento.

O atendimento é realizado de forma articulada ao CAPS AD e organizado a partir do Projeto Terapêutico Singular (PTS), construído de maneira compartilhada entre as equipes e o próprio usuário. O serviço considera a realidade, as necessidades e as possibilidades de cada pessoa, garantindo sua participação ativa no tratamento.

Mais do que oferecer um local de permanência, a unidade busca apoiar a retomada de diferentes aspectos da vida cotidiana. Entre os principais objetivos estão o restabelecimento dos vínculos familiares, a reinserção social e o fortalecimento da autonomia.

O trabalho também contempla a retomada de atividades que possam contribuir para a independência dos usuários, como o retorno ao trabalho e à geração de renda, de acordo com as condições e possibilidades de cada pessoa.

Integradas à Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), as Unidades de Acolhimento são destinadas a pessoas em situação de vulnerabilidade acompanhadas pelos CAPS AD. O cuidado busca, assim, ir além do tratamento imediato, contribuindo para a reconstrução de vínculos, relações e projetos de vida.

Serviço Residencial Terapêutico: morar, conviver e recuperar a autonomia

Outra modalidade de cuidado existente no município é o Serviço Residencial Terapêutico (SRT), destinado a pessoas que passaram por longos períodos de internação psiquiátrica e, em razão desse afastamento prolongado, perderam vínculos familiares e sociais ou apresentam dificuldades para realizar sozinhas atividades de autocuidado.

A proposta do serviço é diferente da lógica de uma instituição hospitalar. O espaço funciona como um lar, onde os moradores desenvolvem atividades relacionadas à rotina doméstica e à convivência.

O trabalho das equipes busca recuperar gradualmente a autonomia. Isso inclui estimular os moradores a retomarem cuidados da vida diária, participarem de atividades na comunidade, fazerem cursos e aulas e ampliarem suas possibilidades de convivência.

A perspectiva é que, quando houver condições, a pessoa possa deixar o serviço e voltar a morar com familiares ou, quando possível, residir de forma independente. Para alguns moradores, entretanto, o grau de comprometimento pode exigir acompanhamento por um período mais longo.

Uma rede que também trabalha antes da crise

Entre janeiro e setembro de 2026, os serviços em saúde mental em Lages contabilizaram 18.316 procedimentos. Do total, 11.209 foram atendimentos individuais, enquanto outros registros correspondem a acolhimentos, grupos, atendimentos familiares, atividades expressivas, visitas domiciliares, ações de reabilitação psicossocial e outras modalidades.

Os procedimentos foram realizados por diferentes categorias profissionais e, além da enfermagem e da psiquiatria, participaram psicólogos, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais, médicos clínicos e profissionais de educação física.

A distribuição dos pacientes acompanhados também evidencia a diversidade das demandas. Dos 1.088 usuários ativos nos CAPS, 663 estavam vinculados ao CAPS AD, 339 ao CAPS II e 86 ao CAPSi. A maior concentração estava na faixa de 10 a 19 anos, com 320 pacientes, seguida pelas faixas de 30 a 39 anos, com 216, e de 40 a 49 anos, com 192. Os números, entretanto, representam apenas uma parte do trabalho desenvolvido que envolve acompanhamento, vínculo, convivência e continuidade do cuidado.

CAPSAD III: novo equipamento será entregue em breve

Entre os principais investimentos em andamento na estrutura de saúde mental de Lages, estão as obras do novo CAPSAD III. Localizado no bairro Pisani, a nova unidade deverá ser entregue até o mês de dezembro deste ano e está sendo planejada para funcionamento 24 horas. A nova estrutura ampliará a capacidade de atendimento a usuários que necessitam de acompanhamento intensivo e cuidado especializado, e fará parte de uma estrutura ampliada de atendimento com diferentes níveis de cuidado e acompanhamento aos usuários da RAPS.

As obras são fiscalizadas pela equipe da Secretaria Municipal do Planejamento Urbano (Seplam) que também monitora a execução dos serviços, verifica o cumprimento dos padrões estabelecidos e acompanha o cronograma, assegurando que a intervenção siga o projeto aprovado e os prazos previstos.

Texto: Silviane Brum

Fotos: Marcos Heitor de Carvalho


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